30 de jul de 2011

29 anos isolado, sem saber que a guerra tinha acabado


Eles são conhecidos como “holdouts”.
Militares japoneses que, sem informações oficiais sobre o término da segunda guerra mundial, continuaram lutando e resistindo em seus postos em algumas ilhas do Pacífico.

Isolados e com comunicação precária (geralmente dependendo de algum bravo mensageiro voluntario ou bilhetes amarrados em vacas ou folhetos jogados por aviões), esses oficiais não cediam nunca porque eram instruídos a (1) resistir a qualquer tentativa de ocupação, (2) não se render e (3) não se matar, sob qualquer circunstância.

Qualquer tentativa de contato era interpretada como armadilha e/ou propaganda do inimigo.
O caso mais famoso é de Hiroo Onoda.

Ficou simplesmente 30 anos isolado e mandando chumbo em quem se aproximasse. Feriu 100. Matou 30. Virou um ermitão assassino, odiado pelos habitantes locais. Não acreditou nem na voz de seu superior, reproduzida em carros de som. Até a mãe dele foi até lá gritar por megafone, sem sucesso. Paranóia total.
Mas o final da história é ainda mais surpreendente.

Em 1974, um estudante japones chamado Nario Suzuki resolve sair de mochila viajando mundo afora e escreve na sua listinha de coisas para fazer “achar Onoda, um panda e o abominável Homem das Neves”. Inacreditavelmente ele entra pela mata e dá mesmo de cara com Onoda. Grita 3 vezes “sou japonês, sou japonês, sou japonês” e por algum motivo qualquer, não é morto. Acaba conseguindo a atenção de Onoda e em uma conversa de horas conta tudo o que aconteceu (imagina esse momento!?) Onoda explica que não poderia abandonar seu posto, somente com ordem de seu superior. O estudante volta então para o Japão e, finalmente localiza o “Major Taniguchi”, que nessa altura está aposentado e virou dono de uma livraria (!).
E em 1975, diante de seu superior, Onoda finalmente se apresenta, impecavelmente uniformizado. Olha só um trecho do livro que ele mesmo escreveu depois, contando sua reação:
“We really lost the war! How could they have been so sloppy?
Suddenly everything went black. A storm raged inside me. I felt like a fool for having been so tense and cautious on the way here. Worse than that, what had I been doing for all these years?
Gradually the storm subsided, and for the first time I really understood: my thirty years as a guerrilla fighter for the Japanese army were abruptly finished. This was the end.
I pulled back the bolt on my rifle and unloaded the bullets. . . .
I eased off the pack that I always carried with me and laid the gun on top of it. Would I really have no more use for this rifle that I had polished and cared for like a baby all these years? Or Kozuka’s rifle, which I had hidden in a crevice in the rocks? Had the war really ended thirty years ago? If it had, what had Shimada and Kozuka died for? If what was happening was true, wouldn’t it have been better if I had died with them?”

Onoda foi perdoado em cerimônia oficial por seus crimes por Ferdinando Marcos, então presidente das Filipinas. Voltou para o Japão, mas não se adaptou as modernices. E adivinha onde foi parar? Veio para o Brasil, criar gado. Casou por aqui.

Em 84 voltou para o japão, onde criou uma escola especial de técnicas de sobreviviencia, para “aumentar a independência e autonomia dos jovens cidadãos japoneses”


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